Casais formados por mulheres: como as novelas os representam?

Artigo da pesquisadora do Obitel Brasil, Gêsa Cavalcanti, avalia a representação de casais sáficos nas telenovelas da Rede Globo entre 1979 e 2023

Ao longo da última década, as novelas têm dado mais espaço à comunidade LGBTQIAPN+. Atualmente no ar, o remake da telenovela Renascer (2024) conta com a personagem Buba, uma psicóloga que se vê envolvida em um triângulo amoroso com José Venâncio (Rodrigo Simas) e Eliana (Sophie Charlotte). Buba é uma mulher trans, assim como a atriz Gabriela Medeiros, que a interpreta. A mesma novela também traz Zinha (Samantha Jones), personagem que vive um arco de descoberta da própria sexualidade. Outro exemplo recente da representação da comunidade LGBTQIAPN+ nas telenovelas é o casal Mara (Renata Gaspar) e Menah (Camilla Damião), que integrou a novela das nove Terra e Paixão (2023).

No entanto, a representação desses personagens não é algo recente na teledramaturgia. Por exemplo, em 1974, na novela O Rebu, a Globo já havia apresentado o casal sáfico, ou seja, formado por duas mulheres, Glorinha (Isabel Ribeiro) e Roberta (Regina Viana). Fora da TV Globo, a novela Amor e Revolução (2011-12), do SBT, exibiu a primeira cena de beijo entre duas mulheres numa telenovela brasileira. Porém, mais do que analisar se uma comunidade é retratada ou não, é preciso também avaliar como essa representação é feita.

Nesse contexto, a pesquisadora da equipe da Universidade Federal de Pernambuco do Obitel Brasil, Gêsa Cavalcanti, em coautoria com Vinícius Ferreira, fez um levantamento dos casais sáficos nas telenovelas da Rede Globo entre 1979 e 2023, em artigo intitulado “Casais sáficos em telenovelas da Rede Globo: tabus, invisibilidades e censuras”, a ser publicado em 2024 no livro “Ficção seriada: estudos e pesquisas”.

Com o objetivo de entender como espectadores da comunidade LGBTQIAPN+ têm percebido esses personagens, a equipe UFPE realizou, em 2019, um grupo focal que subsidiou o artigo “Ações socioeducativas nos mundos da telenovela transmídia: um estudo a partir da abordagem de questões LGBTQIA+“, publicado no volume 6 da Coleção Teledramaturgia, “A Construção de mundos na ficção televisiva brasileira” (aliás, falamos mais sobre esta pesquisa em outro post aqui do site). A contribuição é fundamental para compreender criticamente de que modo vem sendo feita a representação de personagens da sigla.

Para dar um gostinho, reunimos alguns dos principais dados dessas pesquisas no infográfico abaixo: