Artigo de Maria Immacolata Vassallo de Lopes propõe o conceito de TransTV para pensar a televisão contemporânea

No texto apresentado na Compós 2024, a coordenadora do Obitel Brasil defende que a televisão atual deve ser compreendida como um ecossistema digital-narrativo em constante transformação

Obitel Brasil / 19 de agosto de 2025

Em tempos de múltiplas telas, plataformas sob demanda e mudanças nos hábitos de consumo audiovisual, o que ainda podemos chamar de “televisão”? Essa pergunta norteia o artigo “A Televisão, Hoje: TransTV – a televisão como ecossistema digital-narrativo”, apresentado por Maria Immacolata Vassallo de Lopes no 33º Encontro Anual da Compós, realizado em 2024. No texto, a idealizadora do Obitel Brasil, que  também coordena o Centro de Estudos de Telenovela da ECA-USP, parte de uma perspectiva epistemológica para defender que a televisão contemporânea deve ser compreendida por meio de um novo conceito: o de TransTV, ou Televisão Transformada.

A proposta parte da crítica à ideia recorrente da “morte da televisão”. A autora sugere que, ao contrário de desaparecer, o meio se transformou profundamente. A TransTV é apresentada como um ecossistema narrativo e digital, no qual produção, distribuição, consumo e recepção interagem de maneira integrada — e não mais fragmentada entre TV aberta, TV paga e streaming. “uma única e diversificada visada interdisciplinar dos campos da produção, narrativa, distribuição e recepção, uma vez que a questão sobre o que se considera televisivo – na própria televisão e em outros ambientes – tende a ser uma das mais problematizadas no campo da comunicação, especialmente no da ficção televisiva”.

No artigo, Lopes analisa como o surgimento de serviços como Globoplay, Netflix e Prime Video mudou radicalmente o cenário audiovisual no Brasil, impulsionando a hibridização de gêneros e formatos, a transmidiação das narrativas e a emergência de novas práticas de recepção, especialmente nas redes sociais. Um dos destaques é o fenômeno que a autora chama de “telenovelização das séries e serialização das telenovelas”, presente tanto em produções brasileiras quanto internacionais.

A pesquisadora argumenta que compreender esse novo cenário exige uma abordagem transdisciplinar, que leve em conta não apenas aspectos tecnológicos e estéticos, mas também sociais, políticos e culturais — incluindo questões de identidade, cidadania, representatividade e mercado. Ela propõe que a TransTV seja entendida como uma lente crítica capaz de articular as dimensões técnicas, narrativas e políticas da televisão no século 21.

O texto ainda reforça o papel central da teledramaturgia brasileira, especialmente da telenovela, como “narrativa da nação” e como elemento estruturante das transformações televisivas em curso. A autora aponta que a telenovela continua sendo um recurso comunicativo central, agora expandido por novas lógicas de circulação e recepção nas plataformas digitais.

“Tais reconfigurações esbarram, ainda, na força da telenovela, que se mantém como paradigma para outros formatos, tanto em termos de parâmetros narrativos quanto de lógicas de produção”.

Acesse o artigo completo nos anais da Compós 2024.

Sobre a pesquisa

Título: A televisão, hoje: TransTV – a televisão como ecossistema digital-narrativo

Autoria: Maria Immacolata Vassallo de Lopes

Publicação: LOPES, Maria Immacolata Vassallo de. A televisão, hoje: TransTV – a televisão como ecossistema digital-narrativo. In: Anais do 33º Encontro Anual da COMPÓS. Niterói, UFF, 23 a 26 de julho de 2024. Disponível em: https://proceedings.science/p/187254?lang=pt-br