Novas subjetivações em cena: artigo discute contracondutas de gênero no remake de Renascer
Estudo de pesquisadores da equipe Obitel UFPE investiga corporeidade dissidente na novela
Obitel Brasil / 1 de dezembro de 2025
Buba e Teca, no remake de Renascer (TV Globo, 2024)
O artigo “Contraconduta de gênero e corporeidade intersexo no remake de Renascer”, escrito por Diego Gouveia Moreira e Adriana Santana, do Obitel UFPE, em co-autoria com Maria Bianca Samara de Menezes Torres, analisa como a versão de 2024 da novela da TV Globo retoma e transforma personagens, abrindo espaço para a visibilidade de corpos e existências que escapam à lógica da cisgeneridade. A personagem Buba, em 1993 descrita como “hermafrodita”, assume uma nova leitura: reescrita como uma mulher trans e representada por uma atriz trans, sinaliza uma abertura da narrativa para a problematização de diferentes experiências de gênero. A trama introduziu também um bebê intersexo, chamado Cacau, trazendo para a novela a questão da corporeidade intersexo desde a infância, algo raramente explorado em produções televisivas de grande alcance.
Essas reformulações não são apenas estratégias narrativas, mas formas de construir, no âmbito da ficção, modos alternativos de existir e ser reconhecido. O trabalho analisa os discursos mobilizados pela trama como dispositivos de subjetivação que regulam diferentes modos de existência.
O texto, que foi publicado na Revista Eco-Pós, argumenta como novelas podem operar como ferramenta de reflexão e construção de sentidos sobre gênero e corporeidade intersexo, a partir do conceito foucaultiano de dispositivo, proposto por Michel Foucault. Para isso, parte da decupagem de cenas em que questões de gênero e corporeidade intersexo são tematizadas, com o objetivo de analisar os elementos narrativos e discursivos que acionam processos de subjetivação vinculados às experiências trans e intersexo.
As recorrências enunciativas nas cenas analisadas, protagonizadas por personagens como Buba, Venâncio, José Augusto, Pastor Lívio, Teca e Eliana, indicam como o remake de Renascer reconfigura sentidos sobre identidade de gênero e corporeidade intersexo. A maneira como as personagens são inseridas na trama evidencia uma rearticulação dos dispositivos de poder, sinalizando que a telenovela pode operar não apenas como reprodutora de normas, mas também como uma plataforma de resistência simbólica.
A decisão de deslocar a corporeidade intersexo para a trajetória de Cacau, permitindo que Buba exerça o papel de mediadora afetiva e pedagógica, enriquece a representação das dissidências de gênero e contribui significativamente para a ampliação do repertório simbólico e discursivo sobre o tema (p. 453).
O artigo está disponível para leitura no site da Revista Eco-Pós.
Sobre a pesquisa
Título: Contraconduta de gênero e corporeidade intersexo no remake de Renascer: o estabelecimento de novas subjetivações a partir da telenovela
Autoria: Diego Gouveia Moreira, Adriana Santana, Maria Bianca Samara de Menezes Torres



