Da televisão linear ao streaming, pesquisa discute o melodrama como modelo de negócios

Artigo da equipe Obitel PUC-Rio analisa como as plataformas reorganizam o ecossistema audiovisual brasileiro, sem abrir mão do gênero mais popular do país

Obitel Brasil / 2 de dezembro de 2025

Beleza Fatal Beleza Fatal (Max, 2025) é um dos casos citados no artigo

O artigo “Da televisão linear ao streaming: o melodrama como modelo de negócios”, assinado por pesquisadores da equipe Obitel PUC-Rio (Bruna Aucar, Tatiana Siciliano, Francisco Malta e Tatiana Helich), analisa como o melodrama, um gênero historicamente ancorado na televisão aberta, vem sendo reconfigurado e apropriado por serviços de streaming no Brasil. A pesquisa investiga as estratégias comerciais e culturais que levam plataformas como Netflix, Globoplay, Max e Amazon Prime Video a apostar em narrativas melodramáticas, bem como os impactos dessa movimentação sobre a produção, a circulação e a recepção da ficção nacional.

O estudo cruza análise de reportagens especializadas, entrevistas com profissionais do mercado audiovisual e revisão bibliográfica para mostrar que o melodrama funciona hoje como um ativo estratégico capaz de atrair audiências, sustentar políticas de internacionalização e alimentar bibliotecas de catálogo que circulam entre janelas (TV aberta/streaming). Os autores descrevem fenômenos como a “serialização das novelas” e a “telenovelização das séries”, apontando exemplos recentes (Verdades Secretas 2, Todas as Flores, Pedaço de Mim) que ilustram formatos híbridos e experimentos narrativos adaptados ao consumo sob demanda.

Ao mesmo tempo, a pesquisa pontua tensões e riscos: precarização das condições de trabalho, assimetrias entre produtores nacionais e grandes players internacionais, e conflitos entre janelas de exibição que exigem novas negociações contratuais e regulatórias. Caso emblemático citado é o de Beleza Fatal, que exemplifica a circulação de produções entre plataformas de streaming e emissoras tradicionais.

Os autores concluem que o melodrama permanece como eixo estruturante da ficção brasileira, agora remoldado para atender às dinâmicas comerciais e tecnológicas do ecossistema digital. Compreender essas transformações exige atenção simultânea às linguagens narrativas e às novas lógicas de mercado.

O artigo está disponível para leitura no site da Revista Eptic.

Sobre a pesquisa

Título: Da televisão linear ao streaming: o melodrama como modelo de negócios

Autoria: Bruna Aucar; Tatiana Siciliano; Francisco Malta; Tatiana Helich

Publicação: AUCAR, B.; SICILIANO, T.; MALTA, F.; HELICH, T. Da televisão linear ao streaming: o melodrama como modelo de negócios. Revista Eptic, v. 27, n. 1, jan.–abr. 2025. Licença CC BY-NC-SA.